Segunda-feira

Adeus ano Velho, Feliz Ano Novo!



Quem nos vê hoje não consegue acreditar, mas éramos amigos...

Eu não queria mesmo, mas sinto tua falta arranhando minha alma, como se fosse uma lousa: não o arranhão em si causando algum mal, mas o barulho deste mexendo com meus sentidos. Eu fui um gigante imbecil, já te pedi desculpas, e assumo que toda nossa história foi um grave erro. Meu erro, que carregarei pela eternidade.

Sabe, lembro de quando brincávamos juntos; de quando eu chegava a meu quarto e os CDs do antigo PS1 estavam espalhados (que bagunça!) e, então me perguntava: “quem mais poderia ser? Quem mais?”. Sempre o CD que estava dentro do console era o mesmo Super Mario de 1985! Ninguém jogava mais aquilo, nem eu sequer; Em verdade, tinha o comprado, somente pensando em ti: era meu desejo que fôssemos mais próximos!

Passamos a sorrir e suar juntos. Até tentamos estudar – insucesso (mas não era problema contigo; É que só consigo estudar sozinho). 
Atualmente é até difícil imaginar nós como protagonistas destas cenas, não é verdade?

Então o tempo passou com tu ao meu lado e, paulatinamente, teus sorrisos começaram a tornar aquela afeição pueril em paixão. Por fim, surgiu-me a tola idéia de que conseguiria lapidar e tornar-te como o que eu descrevia “perfeita para mim”;
Infelizmente, estava dando muito certo. Exato: infelizmente.

Já não era mais tão difícil de perceber em meus olhos: acabei realmente gostando muito de ti.
Quando surgiu a real rara oportunidade, fui tomado por uma paixão avassaladora de modo tal que não conseguia mais conter meu encantamento e, perdendo os sentidos, declarei todo meu amor secreto, mesmo que da maneira errada, mas tu não estavas preparada.
E, duvido muito que mesmo que antes eu soubesse disso, não o faria, pois eu estava fraco: seria capaz de sufocar por mais tempo todo aquele sentimento escondido, ora, proibido até.

Amar-te tornou-se minha obsessão. Posteriormente uma tensão ruim entre nós; exatamente tudo o que eu não queria que fosse; trouxe à atmosfera o pior de mim: aquilo que é sórdido e mantinha acorrentado e escondido no fundo de minha escuridão. 
E, então ficamos assim: odiaste-me desde este momento, enquanto eu me desesperava cada vez mais por uma centelha de teu amor.

Eu não sabia mais o que fazer: Nem chorar, nem rogar aos deuses, nem me imergir em estudo, nada conseguia apaziguar aquela ferida aberta em meu peito: eu te amava com todas as forças, todavia só me via descer mais e mais as escadas do erro; Tudo que fazia, certo ou errado, apenas piorava as coisas entre nós.

Era impossível te tirar de minha mente quando diariamente nos víamos. Então, em um momento de desespero, decidi entregar minhas asas aos sentimentos ruins e te odiar para que pudesse fomentar o desprezo, visando deixar para trás tudo que tu me fizeste sentir de bom e de ruim.

Juro que foi a última coisa que quis entre nós; Mas eu já estava banido de teu coração há algum tempo e mal sobrevivia fingindo estar tudo bem, quando não conseguia mais ter forças para me levantar, quando estava difícil secar os olhos e manter pé ante pé. Puxa, nem saberia te dizer quantos meses eu chorei pensando em como tudo poderia ter sido diferente se tivesses me aceitado. Poderias não ser a pessoa mais bela do mundo para os outros, mas era tudo o que eu queria.

Por noites repeti que me odiavas e que eu deveria retribuir com o mesmo sentimento. Foi quando para provar para mim mesmo e consolidar minha única defesa contra ti, deliberadamente porém com lágrimas nos olhos, quebrei o CD de colecionador do Super Mario que era o símbolo de nossa história .
Passaram-se os anos e nunca mais olhei em teus olhos nem quis reparar em teu sorriso.

Tua forma de pensar, tuas atitudes começarem a pregar valores muito distantes dos meus: começara a valorizar muito mais a questão material em detrimento de que se sente. Parece até que fizera questão de desgastar tua imagem com erros grosseiros de propósito. Isto tudo me facilitou bastante em repetir para mim que não me merecias. Isso e os efeitos de teu rancor por mim, em forma de anos e anos de indiretas por questões triviais.
Rancor desordenado, embora que formalmente já tivesse te pedido perdão.
Assisti de VIP tu aceitares outros, fazia questão de que todos soubessem que não existia mais amor, que tudo na vida era apenas movido por interesse material, que era indiferente ao usar as pessoas.
Com o tempo, de “perfeita”, passei a te descrever como “vulgar e superficial”.
E, assim, muitos anos se passaram...

Continuamos distantes, sempre desprezando um ao outro. Porém no fundo; do fundo, do fundo de meu coração, ainda consigo ouvir os rangidos irritantes daquela lousa arranhando.

Eu realmente te amei.
Boa Vista, 08/12/2011


-> Precisava fechar 2011 e uma parte do passado em minha cabeça....
Seja muito bem vindo, 2012!

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