Quando o Sol nasce e os raios atingem seus olhos, ainda na carruagem, eles são abertos.
E, então, o Renegado vê sua cidade, aquele lugar ao qual ele abandonou para crescer...
Desce e, em pé, sob uma cortina de poeira, ele começa lentamente a se dirigir à hospedagem, sua casa;
Aquela figura solitária, arrastando uma mala pelo meio da rua, de barba por fazer, com um sorriso misterioso e chamas vermelhas ardendo em seu olhar...
...E as pessoas, nas calçadas, enchem-se de uma felicidade nostálgica, como se há anos não vissem seu herói;
Os sorrisos e acenos, fazendo-o se sentir, em muito, muito tempo, feliz, sem ter que imitar o sentimento.
Ele nem se lembra quando fora a última vez que teve um sorriso sincero.
Todo ontem ficara para trás. E é como se nunca mais fosse voltar a sentir dor!
Não é como se o pistoleiro fosse um fantasma sem saber que está morto?
Enquanto desce a rampa, sua cabeça está cheia de pensamentos e memórias; ele se vai, rastejando sozinho, entre a fuligem e as rochas de sua alma, até que cerra seus punhos e faz uma oração:
E, então, do outro lado, em frente a sua moradia, vê, como um espectro, sua imagem há 10 anos, bem antes de começar seu auto-exílio:
Jovem, cheio de sentimentos e sonhos, sem dor, mas sem qualquer conhecimento; Pura emoção à flor da pele.
O pistoleiro recorda inúmeros adversários que enfrentara no início de sua jornada: fome, frio, solidão, sentimentos...
Que de cada um, quando derrotado, assimilara algo.
Uma lágrima idêntica cai dos olhos de ambos: Era uma batalha iminente mas de experiências distintas;
Era um ritmo de tiro para um xerife iniciante que amava e para um sólido pistoleiro experiente;
E, sem nenhuma palavra, ambos sacaram de seus coldres uniformemente... Um empunhava a perspectiva e a necessidade de crescer contra a dor do outro;
O pistoleiro sabia que não era possível desligar seus erros; Que era incapaz de lavar suas mãos pelo passado;
O jovem xerife brada que o pistoleiro nunca deveria ter abandonado sua cidade; Que ter renegado tudo o fez se perder em sua busca.
Ambos são atingidos no coração.
Outra vez o pistoleiro rasteja entre a fuligem e as rochas de sua alma, enquanto desce a ladeira até em frente à hospedagem.
Deita a cabeça do jovem xerife sobre seu colo, como um filho. Ambos sangram do coração:
O pistoleiro com seu rosto pétreo, sem demonstrar sentimentos, perde uma lágrima.
O jovem xerife
ouve bater um coração ritmado com o dele através do furo de ambas as balas e
percebe que dentro daquela casca grosseira, ele se escondia...
Sorri e pede desculpas por não ter entendido. Ele sabe que o gunslinger nunca se perdoará por ter errado muitas vezes em sua jornada, que tudo poderia ter sido diferente, mais fácil, sem dor.
Então remove de peito sua estrela de xerife e coloca sobre o furo, tamponando o sangramento de seu, não mais, adversário. E, como névoa e fuligem, o passado se desfaz...
O pistoleiro pára de arrastar sua mala, tira a mochila das costas e os óculos dos olhos.
Olha para cima e sente aquele sol de 41 graus queimando sua face:
Sente-se perdoado.
Não, não lavara suas mãos por seus erros e arrependimentos...
Mas, ao portão se abrir e todos saírem, o abraçando e entre lágrimas, ele pôde sorrir:
Nesse momento percebeu que não era mais um fantasma;
Estava ressuscitado.

1 comentários:
Caracas!
É foi/é uma de sua melhores postagens, Mr. Ryan.
Sensacional, ó!
Acho que todos temos um pouco do seu Pistoleiro e do Xerife.
Bem é uma postagem fantastica!
Abraço.
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