
Hoje, quem vê sua calma, desconhece que em todo momento está pisando em ovos: retendo suas lágrimas e “as engolindo”, para que todos tenham em lembrança, a imagem de alguém forte, de que ele é disponível para ajudar, para corrigir o que está errado. Quando é apenas um homem controlando toda sua dor escondida, alguém que é condicionado a nascer, amar e morrer.
Sempre forçando um sorriso o mais próximo do sincero possível, para dar força aos próximos e auxiliar-lhes com seus problemas. Sorrindo, mesmo com mil punhais cravados em seu coração; Sorrindo, mesmo quando deseja morrer de chorar; Negando de pés juntos que não é capaz de se ferir independente do que aconteça, declarando que é incapaz de sentir amor platônico, mesmo quando um comentário tosco do alvo de sua paixão seja capaz de desprender lágrimas de seu coração.
Por mais despedaçado emocionalmente, consegue ainda manter um rosto sóbrio ou, pelo menos, conseguir tempo para sofrer sozinho.
Ele retoma suas lembranças e pensa: “desde quando?”. “Desde quando me desvirtuei de mim?”.
Desde criança, sempre se sentiu... Não, definitivamente sabia que era diferente dos demais, porém como qualquer criança, incapaz de esconder seus sentimentos: era tão chorão, fraco, porém sonhador: sempre lutando contra o mundo para destruir a injustiça. Quando não dava, chorava! Quem diria que agora, pacifista, Au contraire, apenas fica calado e colhe os pedaços do prato que foi quebrado, com um rosto tão servil que dá até ódio. “Ódio de mim mesmo”.
Por que não tem mais força para lutar? Onde está o rugido do leão? Onde está a fúria da perfeição, o desejo de alcançar o infinito?
Tudo agora é apenas uma corrida fugaz, é tentar pegar o vento com as mãos, Rei Salomão?
Tudo mudou quando, pela primeira vez se viu sozinho no mundo. Quando percebeu que não era mais a criança que sempre seria protegida. Que não havia casa para voltar. Que não havia proteção, nem amor, nem quem secasse suas lágrimas. Ele percebeu que sua infância teria um fim precoce. Não queria voltar atrás. Precisaria ser Atlas e erguer sua casa, onde deixou metade de seu coração para buscar no tempo em que se sentisse digno. Naquele momento de desesperança rogou aos elementos, olhou para suas feridas sangrantes no rosto, para suas mãos sujas e todas as dores que sentia, sentiu dó de si mesmo pela última vez, rasgou seu rosto e decidiu se tornar a peça fundamental do tabuleiro: tornou-se a peça de sacrifício para que os seus não precisassem sofrer, e, batendo no peito com a força que tinha, deitou-se para dormir e, em meio a suas últimas lágrimas repetia: “Não vou chorar nunca mais...”. Secou os olhos, ergueu o que restava de sua alma e jogou fora todos seus sonhos e tudo que lhe era de orgulho, deixando apenas o vital para que pudesse criar harmonia: em vez de mudar o sistema, ele definitivamente iria encontrar uma maneira de se integrar a ele e absorvê-lo.
De imediato, começara a se acalmar mesmo em meio às frustrações, negou a bandeira de sua fé, para criar seu próprio caminho. Aceitou que não era ou seria quem queria ser, e, portanto, não precisaria mais mentir para ninguém, que sua realização pessoal não dependeria mais de contentar terceiros, mas que viria da felicidade de ajudar os outros e de estar perto de quem ama.
Saindo de seu mundinho egoísta, encontrou um mundo que nunca tinha visto antes: após secar os olhos, conseguiu ver que muitas pessoas também sofriam; que tinham muitos medos a superar! Só sentindo na pele a dor para cruzar o espelho. Perdoou o passado.
Bem, é para isso que construí esse blog: para que em momentos de dúvidas como este, eu possa me lembrar de onde vem minha força, o que me faz continuar sorrindo, mesmo que vazio. O que me faz nunca bater de frente com alguém, mesmo que tenha a razão, mas que sempre prefira desviar e me adaptar;
Com estas lembranças de volta, reaprendi uma coisa hoje: Que por mais deletéria que uma mudança forçada seja, por mais que se machuque, se vc tem um motivo que acredita, sofra até morrer lutando, se preciso, pelo que vale a pena continuar vivendo!
“- Onde guardou a segunda metade de seu coração? Prometa a mim, pelo menos, que a primeira metade, enterrada naquele dia, será recuperada!
- Ela voltará para mim, quando for a hora certa, para que eu possa reconstruir minha alma. E, quanto à segunda metade, que não sinto há uma década, acabo de perceber que não está perdida: Ela não morreu apenas e, tampouco a enterrei junto da primeira, mas sempre esteve no mesmo lugar da primeira... Junto e separado da primeira, em meu lugar para voltar, minha razão de viver, minha Família.”
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